quinta-feira, 12 de junho de 2008
Retrato Brasileiro
Se você quer entender o que aconteceu no caso Varig e a que ponto chegamos no Bananão, tem que ler este post do Arrastão. Al Capone é uma freira!
terça-feira, 10 de junho de 2008
Filosofia e sociologia. De novo ?

Vou repetir o tema do post anterior. Depois das tentativas de controlar a imprensa e o cinema, o governo parece que deu um passo adiante na sua cruzada contra o livre arbítrio. O texto de hoje do Nélson Ascher na Folha de São Paulo é perfeito:
Doutrinação Barata - Nélson Ascher
DISCUTÍAMOS DOSTOIÉVSKI . Ocorreu-me mencionar um personagem aparentemente secundário, mas de fato importante, de "Crime e Castigo" cuja trajetória no romance me parecia uma de suas melhores criações ficcionais. Lembrava seu papel, como aparecera na trama, o que fizera, que fim levara. Só que, na hora de dizer-lhe o nome, ele não me vinha à mente. Por nada neste mundo. Ninguém mais o recordava e, para piorar a situação, estávamos todos passando férias (pela última vez na minha vida, juro) num lugar remoto, sem bibliotecas nem telefones.
Forcei a memória, arrolando nomes em ordem alfabética. Nada. Evoquei na imaginação cada episódio relevante do romance e até cenas de um filme russo sobre ele cujos atores tinham os mais adequados "physiques du rôle" possíveis (o sujeito era um russo maciço, corpulento sem ser gordo, de meia-idade e da alta classe média), igualmente sem resultado.
Reconstruí na cabeça os lugares e horas em que li o livro, o que havia ao redor, como me sentia, o que conversei com amigos a respeito. Ainda assim, demorou dois dias para que, de súbito, seu nome me viesse como que por milagre: Svidrigailov.
Li "Crime e Castigo" no verão entre o fim do segundo colegial (segundo ano do segundo grau) e o começo do terceiro. É claro que o escritor russo me marcou profundamente e guardo recordações vívidas de seus livros bem como dos contextos de minhas leituras. Essa era, no entanto, uma época na qual minha memória funcionava bem e as lembranças que ficaram estendem-se não apenas a outras obras, como também a outras áreas.
Eu cursava então um dos melhores colégios de São Paulo. O ano seguinte era o do vestibular e pelo menos metade de minha classe entrou numa das três melhores escolas de medicina, enquanto os demais ingressaram em bons cursos de odontologia, biologia, administração etc. Se isso não depõe necessariamente a favor de nossa inteligência, decerto prova que a escola sabia maximizar nossa capacidade de memorizar as informações necessárias para atingirmos as metas propostas.
Mesmo assim, do grosso do que aprendi lá, não resta nenhum vestígio em meus neurônios. E me refiro não a disciplinas vagas, dependentes de interpretação, mas às rigorosas e/ou factuais: trigonometria e geometria analítica, ótica e química orgânica.
O que aconteceu? Meu cérebro deve tê-las guardado num arquivo provisório. Tão logo sua utilidade terminou, os arquivos, ao contrário daquele que continha "Crime e Castigo" (se bem que com a falha, que tive de reparar, no caso Svidrigailov), foram "deletados".
Por sorte não estudávamos literatura estrangeira, senão Dostoiévski teria provavelmente tido o mesmo destino. Caso tivéssemos, como se tornou há pouco obrigatório para o ensino médio, cursos de filosofia e sociologia, o que sucederia com suas lições?
Cada qual de nós preserva em si aquilo que o atrai, emociona, interessa. Professores e pais podem nos obrigar a decorarmos tais ou quais informações por razões pragmáticas. Estas, porém, literalmente não "colam", ou seja, não se aderem a nada no interior de nossa consciência ou do nosso subconsciente (se é que isso existe). Respostas que antecedam as perguntas são piores que inúteis, pois elas acabam ocupando um lugar que, tornado ermo, não enseja mais que brotem naturalmente certas indagações.
Para que, num país que mal ensina (e ensina mal) coisas fundamentais como matemática, escrita e leitura, acrescentar essa sobrecarga que, além de inútil e irrelevante, nem as escolas privadas e muito menos as públicas terão condições de ensinar decentemente? Onde é que vão se recrutar bons professores de filosofia e sociologia?
Naturalmente essas disciplinas não serão minimamente bem ensinadas e todo mundo sabe disso. Não há quadros, não há tempo, não há verbas e, sobretudo, não há nem haverá interesse algum por parte das vítimas potenciais, os alunos.
A resposta se torna evidente quando ouvimos autoridades e os interessados confessando, sem querer, seu objetivo real. Eles falam em encorajar a visão ou pensamento crítico. Essa expressão nojenta oculta, ou melhor, revela o ápice da arrogância: nossa maneira de pensar, que chamamos mentirosamente de "crítica", é a certa, a única certa.
Como hoje controlamos a lei, nós a usaremos para impor nossos dogmas aos adolescentes, impedindo-os de pensarem por conta própria. Para que perder tempo com tentativa e erro se já temos todas as respostas? Enfim, sociologia e filosofia no ensino médio são apenas eufemismos. Seu nome verdadeiro é doutrinação barata.
quinta-feira, 5 de junho de 2008
Filosofia e sociologia ?
Agora vão tornar obrigatórias as matérias filosofia e sociologia no ensino médio. Eu queria escrever uma crítica sobre isso, mas o Adolfo Sachsida foi perfeito em seu post sobre o assunto.
quarta-feira, 4 de junho de 2008
Pizza ?
Tento evitar comentários sobre política aqui no blog. Mas às vezes não dá...
O relatório final da CPI dos cartões corporativos do deputado Luiz Sérgio (PT-RJ) diz que todos os ex-ministros de Lula envolvidos no escândalo usaram seus cartões corporativos "por engano" e são inocentes. E que todos os ex-ministros de FHC envolvidos no mesmo escândalo devem explicações à CGU (Controladoria Geral da União) ou ressarcimento dos gastos.
Todos são inocentes no PT e todos são culpados no PSDB. Ridículo...
O relatório final da CPI dos cartões corporativos do deputado Luiz Sérgio (PT-RJ) diz que todos os ex-ministros de Lula envolvidos no escândalo usaram seus cartões corporativos "por engano" e são inocentes. E que todos os ex-ministros de FHC envolvidos no mesmo escândalo devem explicações à CGU (Controladoria Geral da União) ou ressarcimento dos gastos.
Todos são inocentes no PT e todos são culpados no PSDB. Ridículo...
Prolongando sua vida com o vinho

Eu já tinha lido muita coisa a respeito dos benefícios do vinho. A maioria deles se referia à redução dos riscos cardíacos para os consumidores moderados da bebida de Baco. O New York Times vai além: o vinho pode evitar o envelhecimento.
O vinho tinto possui resveratrol, que ao ser consumido leva à produção de sirtuínas, proteínas que retardam o envelhecimento. As sirtuínas também são produzidas pelo corpo na conhecida dieta da restrição calórica, muito mais desagradável que essa do vinho. Os americanos ainda não entenderam o espírito da coisa e estão querendo criar cápsulas de resveratrol. Tsc, tsc, tsc...
Então o negócio é prolongar a vida !
terça-feira, 3 de junho de 2008
Minc e os bois

Muito bom o comentário de Cláudio Ângelo hoje na Folha sobre os desmandos na Amazônia (assinante lê aqui)
Senhor Minc, o senhor é um fanfarrão (Cláudio Ângelo)
(...)
O novo dado de desmatamento comprova: Marina Silva abandonou o barco do Meio Ambiente no momento certo. A cifra final, a sair em agosto (o mês do desgosto, como dizem), será um arraso sobre a floresta. E essa conta será de Lula e de seus "heróis" do agronegócio, encarnados na figura de Blairo Borges Maggi.
Afigura-se a realidade arrepiante de um desmatamento na casa dos 20.000 km2 de agosto de 2007 a julho de 2008. Para dar uma idéia do que isso significa, em 150 anos, de 1700 a 1850, toda a produção de açúcar na mata atlântica ceifou 7.500 km2.
Em resposta ao desastre imposto pela alta nas commodities, Carlos Minc, o "performer" que substitui Marina no ministério, anuncia que vai mandar prender... os bois! Isso mesmo: os bois, cujo único crime é pastar em áreas embargadas cuja floresta algum humano derrubou -com crédito oficial e estímulo político.
Ora, não seria mais efetivo prender os donos das terras onde pastam os bois? Certamente. Mas isso o governo não faz, por duas razões. Primeiro, para não criar caso com aliados em ano de eleição.
Depois, porque nem Minc nem ninguém sabe quem é dono da terra na Amazônia. A única medida que poderia ser definitiva contra o desmate, o ordenamento fundiário, foi um fiasco. Só 20% dos proprietários aderiram ao cadastro de terras imposto pelo governo. E, com o orçamento pífio dedicado a esse reordenamento pelo Plano Amazônia Sustentável, nada vai mudar.
Vai ser engraçado ver o ministro, entre uma coletiva e outra, correndo atrás de boizinhos e vaquinhas no pasto. São 80 milhões de cabeças na Amazônia, senhor ministro. Haja colete para suar.
(...)
domingo, 1 de junho de 2008
Economia Sem Truques (primeiras impressões)
Comecei a ler um livro promissor chamado "Economia Sem Truques" (Bernardo Guimarães e Carlos Eduardo Gonçalves). Li um quarto do livro e já pude perceber seus méritos. As explicações são bem claras e os exemplos bastante interessantes. Voltarei a comentar sobre ele em breve.
Phoenix
A NASA conseguiu um feito e tanto. Colocou a sonda Phoenix Mars Lander na região ártica do planeta vermelho. Os riscos eram muito grandes, mas a operação deu certo.
A sonda possui um braço mecânica para coletar material do solo e analisá-lo em laboratórios internos com microscópio e analisadores químicos, além de câmeras de última geração e estação metereológica. Detalhe: a missão foi realizada com restos de outras missões, já que os gastos na NASA estão sofrendo cortes.
Nunca o homem esteve tão próximo de encontrar indícios de vida fora da Terra.
A sonda possui um braço mecânica para coletar material do solo e analisá-lo em laboratórios internos com microscópio e analisadores químicos, além de câmeras de última geração e estação metereológica. Detalhe: a missão foi realizada com restos de outras missões, já que os gastos na NASA estão sofrendo cortes.
Nunca o homem esteve tão próximo de encontrar indícios de vida fora da Terra.
quarta-feira, 21 de maio de 2008
O que fazer ?
Meu maior problema é querer melhorar um país cujo Supremo Tribunal Federal autoriza uma pessoa a mentir à vontade num depoimento, sem ônus algum.
sexta-feira, 9 de maio de 2008
Manchetes
É impressionante o quanto conseguimos aprender sobre um país apenas lendo uma ou outra manchete de seus jornais. Essa aqui saiu na Folha de São Paulo:
Não existe mandante preso por morte no campo no Pará
Não existe mandante preso por morte no campo no Pará
quinta-feira, 8 de maio de 2008
Auxílio funeral
O Painel do Leitor da Folha de São Paulo frequentemente produz grandes pérolas, como essa da leitora Marília Aguiar Dias Ottati, sobre a proposta do auxílio-funeral dos deputados:
"Creio que a população inteira seria favorável ao "auxílio-funeral" se Suas Excelências prometessem usá-lo de imediato."
"Creio que a população inteira seria favorável ao "auxílio-funeral" se Suas Excelências prometessem usá-lo de imediato."
quarta-feira, 7 de maio de 2008
Pegar o ritmo
O tempo anda curto e está difícil pegar o ritmo para os posts. Vou me esforçar mais.
Tem gente que não tem problema com isso...
Tem gente que não tem problema com isso...
sexta-feira, 2 de maio de 2008
Mixwit
O serviço Mixwit permite que você crie fitas k7 virtuais para serem ouvidas por seus amigos. Há uma boa quantidade de músicas disponíveis. Criei a fita abaixo como exemplo:
terça-feira, 29 de abril de 2008
Uniforme escolar
Os americanos têm toda razão em criar regras que visam diminuir os riscos de atentados em escolas. Já aconteceram muitas tragédias deste tipo por lá. Agora está havendo uma chiadeira porque algumas escolas estão proibindo camisetas para fora da calça. O vídeo abaixo mostra a razão disso:
Dica do Cardoso.
Dica do Cardoso.
quarta-feira, 23 de abril de 2008
terça-feira, 22 de abril de 2008
Voltando amanhã
Este blog volta a ser atualizado a partir de amanhã. Esteve parado em razão de minhas férias.
sexta-feira, 28 de março de 2008
Dossiês
Sabe aquele dossiê que o PT "teria" feito com os gastos de FHC e primeira dama ? O "suposto" dossiê ? Aquele que seria só um relatório do TCU, segundo Tarso Genro ? Que o TCU disse depois que nunca fez e que levou Tarso a criar outra versão ?
Pois é... A Folha de hoje faz reportagem de primeira informando que a autora do dossiê (aqui já sem as aspas...) é o braço direito da ministra Dilma.
Meu palpite ? A ministra "não sabia de nada" e a assessora vai ser afastada...
O que me assusta é o seguinte: ninguém questiona o fato de todos os escândalos petistas terem várias versões contadas pelos mesmos dirigentes. Não é necessário provar nada, gente. Se o sujeito A disse que o evento E aconteceu do modo X, depois diz que foi do modo Y e mais tarde foi do modo Z, ele está mentindo no mínimo duas vezes. No mínimo! Na melhor das hipóteses, porque há quem pense não haver verdade em nenhuma das versões...
E tome dossiê!
Pois é... A Folha de hoje faz reportagem de primeira informando que a autora do dossiê (aqui já sem as aspas...) é o braço direito da ministra Dilma.
Meu palpite ? A ministra "não sabia de nada" e a assessora vai ser afastada...
O que me assusta é o seguinte: ninguém questiona o fato de todos os escândalos petistas terem várias versões contadas pelos mesmos dirigentes. Não é necessário provar nada, gente. Se o sujeito A disse que o evento E aconteceu do modo X, depois diz que foi do modo Y e mais tarde foi do modo Z, ele está mentindo no mínimo duas vezes. No mínimo! Na melhor das hipóteses, porque há quem pense não haver verdade em nenhuma das versões...
E tome dossiê!
quinta-feira, 20 de março de 2008
Um certo lugar na história
Reproduzo aqui um trecho do artigo do Jânio de Freitas, hoje. Material de primeira para historiadores que pretendem retratar o atual governo.
Um Certo Lugar na História
OS ARRANJOS no governo para levar à compra da Brasil Telecom pela Oi/Telemar, apesar do vigente impedimento legal, aceleram-se rumo à história. Onde esse negócio vai figurar como um dos mais escabrosos no gênero. Se, como trama, iguala as privatizações do governo Fernando Henrique, faz a sua com escancaramento que os artífices e beneficiários daquelas não foram capazes de ousar, só evidenciados ou confirmados com a divulgação de "grampos" ilegais, mas benfazejos.
A maneira de criar um procedimento administrativo com aparência convencional, em substituição ao ato presidencial já combinado para alterar a proibição vigente, é uma seqüência de artifícios que não resistiriam nem a um exame de moralidade feito por Fernandinho Beira-Mar. Para evitar o constrangimento criado pelas notícias que lembravam ser a Oi/Telemar, principal beneficiária do negócio, a aplicadora de alguns milhões para capitalizar e cobrir prejuízos da empresa de um filho de Lula, o governo enveredou por desvios fantasistas que, a cada passo, só tornam a operação mais reprovável.
São passos escancarados (a Folha publicou ontem mais dois, um assinado por Elvira Lobato, outro por Humberto Medina), mas todos protegidos na Câmara e no Senado por um silêncio virginal. Alguém ainda se perguntaria o que e quem faz os políticos brasileiros manterem ouvidos e olhos sempre fechados a uma operação tão merecedora de escândalo nacional? E nacional até porque seu resultado será a apropriação por uma só empresa, a Oi/ Telemar, de todo o território nacional, excetuado apenas São Paulo incompleto.
Os passos mais recentes para a pretensa proteção de Lula são autodenunciantes, caso faltassem precedentes de mesma clareza. O ministro das Comunicações, Hélio Costa, que deixou registrada na imprensa sua discordância da compra, agora foi feito peça-chave dos artifícios. Coube-lhe fazer um pedido à Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) para encaminhar, à Presidência da República, uma proposta de mudança na legislação, abrindo-a ao acúmulo de domínio territorial e operacional da Oi/Telemar. Mas pedido em razão de quê? Mudança de opinião, estudos técnicos do ministério? A saída não poderia ser mais viva e simplória: "a pedido das empresas".
Lavadas biblicamente as mãos de Hélio Costa, Ronaldo Sardenberg, presidente da Anatel, meteu as suas e o nome na operação. Aceitou no conselho da agência a incorporação de José Zunga de Lima, que, apesar de petista e cutista, é gerente de Relações Não-Governamentais da Brasil Telecom (imagina onde estaria, se fosse gerente de relações governamentais). O conselho mais iluminado por Zunga é que vai receber de Ronaldo Sardenberg, "para decidir", a proposta técnica "criada na agência" em atenção ao "pedido" do Ministério das Comunicações.
Lula, pode-se prever, ficará muito surpreso e indeciso, quando receber a sugestão que dará a sócios do seu filho o negócio de um punhado de bilhões. Embora, antes da surpresa, já tenha uma dúvida a respeito: há sugestões diferentes sobre o truque para evitar que faça pessoalmente a mudança da legislação, sendo possível um ato desse seu poder tanto para o Ministério das Comunicações como para a Anatel. E, de repente, um probleminha entra em discussão: se ficar concluído que essa transferência, para enfrentar melhor possíveis recursos judiciais, deve passar pelo Congresso, a repentina rebelião parlamentar contra medidas provisórias seria um tropeço para o negócio. Não, é claro, por oposição de parlamentares, que doadores e contribuintes merecem toda consideração. Mas porque o último lance da operação ficaria entre um lerdo projeto ou uma fragilidade formal -inconseqüente, como os processos do gênero, mas politicamente incômoda.
O lugar na história, porém, ninguém tasca.
Um Certo Lugar na História
OS ARRANJOS no governo para levar à compra da Brasil Telecom pela Oi/Telemar, apesar do vigente impedimento legal, aceleram-se rumo à história. Onde esse negócio vai figurar como um dos mais escabrosos no gênero. Se, como trama, iguala as privatizações do governo Fernando Henrique, faz a sua com escancaramento que os artífices e beneficiários daquelas não foram capazes de ousar, só evidenciados ou confirmados com a divulgação de "grampos" ilegais, mas benfazejos.
A maneira de criar um procedimento administrativo com aparência convencional, em substituição ao ato presidencial já combinado para alterar a proibição vigente, é uma seqüência de artifícios que não resistiriam nem a um exame de moralidade feito por Fernandinho Beira-Mar. Para evitar o constrangimento criado pelas notícias que lembravam ser a Oi/Telemar, principal beneficiária do negócio, a aplicadora de alguns milhões para capitalizar e cobrir prejuízos da empresa de um filho de Lula, o governo enveredou por desvios fantasistas que, a cada passo, só tornam a operação mais reprovável.
São passos escancarados (a Folha publicou ontem mais dois, um assinado por Elvira Lobato, outro por Humberto Medina), mas todos protegidos na Câmara e no Senado por um silêncio virginal. Alguém ainda se perguntaria o que e quem faz os políticos brasileiros manterem ouvidos e olhos sempre fechados a uma operação tão merecedora de escândalo nacional? E nacional até porque seu resultado será a apropriação por uma só empresa, a Oi/ Telemar, de todo o território nacional, excetuado apenas São Paulo incompleto.
Os passos mais recentes para a pretensa proteção de Lula são autodenunciantes, caso faltassem precedentes de mesma clareza. O ministro das Comunicações, Hélio Costa, que deixou registrada na imprensa sua discordância da compra, agora foi feito peça-chave dos artifícios. Coube-lhe fazer um pedido à Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) para encaminhar, à Presidência da República, uma proposta de mudança na legislação, abrindo-a ao acúmulo de domínio territorial e operacional da Oi/Telemar. Mas pedido em razão de quê? Mudança de opinião, estudos técnicos do ministério? A saída não poderia ser mais viva e simplória: "a pedido das empresas".
Lavadas biblicamente as mãos de Hélio Costa, Ronaldo Sardenberg, presidente da Anatel, meteu as suas e o nome na operação. Aceitou no conselho da agência a incorporação de José Zunga de Lima, que, apesar de petista e cutista, é gerente de Relações Não-Governamentais da Brasil Telecom (imagina onde estaria, se fosse gerente de relações governamentais). O conselho mais iluminado por Zunga é que vai receber de Ronaldo Sardenberg, "para decidir", a proposta técnica "criada na agência" em atenção ao "pedido" do Ministério das Comunicações.
Lula, pode-se prever, ficará muito surpreso e indeciso, quando receber a sugestão que dará a sócios do seu filho o negócio de um punhado de bilhões. Embora, antes da surpresa, já tenha uma dúvida a respeito: há sugestões diferentes sobre o truque para evitar que faça pessoalmente a mudança da legislação, sendo possível um ato desse seu poder tanto para o Ministério das Comunicações como para a Anatel. E, de repente, um probleminha entra em discussão: se ficar concluído que essa transferência, para enfrentar melhor possíveis recursos judiciais, deve passar pelo Congresso, a repentina rebelião parlamentar contra medidas provisórias seria um tropeço para o negócio. Não, é claro, por oposição de parlamentares, que doadores e contribuintes merecem toda consideração. Mas porque o último lance da operação ficaria entre um lerdo projeto ou uma fragilidade formal -inconseqüente, como os processos do gênero, mas politicamente incômoda.
O lugar na história, porém, ninguém tasca.
Mino Carta e a solidariedade
Mino Carta saiu do iG em solidariedade a Paulo Henrique Amorim. Publicou seu último post ontem, elogiando o amigo.
Estou avisando aqui porque senão ninguém perceberá...
Estou avisando aqui porque senão ninguém perceberá...
quarta-feira, 19 de março de 2008
Paulo Henrique Amorim e o iBest
Muita gente critica o prêmio iBest por ser manipulado. O iBest pertence ao iG. Paulo Henrique Amorim era blogueiro do iG e tinha um link direto na primeira página do portal. Paulo Henrique Amorim lidera a votação de melhor blog de política no iBest. E foi demitido pelo iG ontem com a alegação de baixa audiência. Esta categoria era liderada com folga pelo Reinaldo Azevedo antes que houvesse uma mobilização da esquerda festiva, que levou os blogs do Nassif, Mino Carta, Vermelho (do PC do B!) e do próprio Paulo Henrique Amorim às primeiras colocações. Alguém acredita que o blog Vermelho tem toda essa audiência ? Reinaldo Azevedo brinca que o blog tem mais votos no iBest do que o partido nas urnas...
Há mais coisas envolvidas nesta demissão, claro. O Conversa Afiada (blog de Amorim) sempre foi tendencioso e parece que uma destas tendências desagradou a nova chefia da Oi/Brasil Telecom.
Há mais coisas envolvidas nesta demissão, claro. O Conversa Afiada (blog de Amorim) sempre foi tendencioso e parece que uma destas tendências desagradou a nova chefia da Oi/Brasil Telecom.
segunda-feira, 17 de março de 2008
Niemeyer
Ontem escrevi novamente para o Painel do Leitor da Folha de São Paulo. Motivo: não é possível publicarem mais um texto absurdo do Oscar Niemeyer. No artigo de ontem (que assinante lê aqui), o arquiteto critica o governo "reacionário" de Uribe de combater com "violência" as FARCs. Ora, as FARCs produzem e vendem droga para comprar armas. Com estas armas, matam e sequestram centenas de pessoas com o objetivo de depôr um governo democraticamente eleito que atualmente tem cerca de 80% de aprovação.
Oscar Niemeyer faz parte de um grupo de esquerdistas que criticam a nossa imprensa chamando-a de "golpista". Apenas por criticarem o governo que foi eleito pelo povo. Na Colômbia, um governo também foi eleito democraticamente e não é a imprensa que quer derrubá-lo. São guerrilheiros que já cometeram milhares de crimes e que matarão mais gente para assumir o poder. Aí pode, né, Niemeyer ?
Oscar Niemeyer faz parte de um grupo de esquerdistas que criticam a nossa imprensa chamando-a de "golpista". Apenas por criticarem o governo que foi eleito pelo povo. Na Colômbia, um governo também foi eleito democraticamente e não é a imprensa que quer derrubá-lo. São guerrilheiros que já cometeram milhares de crimes e que matarão mais gente para assumir o poder. Aí pode, né, Niemeyer ?
quinta-feira, 13 de março de 2008
sexta-feira, 7 de março de 2008
A sucata mental
O senador Jefferson Péres, do PDT-AM, faz uma análise brilhante do atraso mental de nossa sociedade na Folha de São Paulo de hoje:
"Só vai entender a realidade do mundo atual quem tiver a noção clara da natureza, da evolução e do papel de duas instituições fundamentais em qualquer país: o Estado e o mercado."
Segue o texto na íntegra:
A Sucata Mental (Jefferson Péres)
ANOS ATRÁS, alguém afirmou, com muita verve: "Um dos graves problemas do Brasil é a sucata mental. O país está povoado de idéias obsoletas".
A frase só não é perfeita por se haver restringido ao Brasil, quando na verdade tem aplicação universal. Em toda parte, políticos, economistas e intelectuais, principalmente oriundos da antiga esquerda, vêem a realidade de modo desfocado, porque não conseguem livrar-se de conceitos e pressupostos que perderam validade no contexto do mundo de hoje.
Durante dois séculos, o embate político em todo o mundo foi marcado pela dicotomia esquerda x direita, que a partir do "Manifesto Comunista", de Marx, em 1848, ganhou concretude, na forma de duas propostas antagônicas. De um lado, o modelo vigente no mundo real, que o marxismo rotulou de capitalismo; de outro, o seu oposto, um modelo ideal, chamado de socialismo, que se tornou real a partir da Revolução Russa de 1917.
A análise marxista, excessivamente reducionista, foi parcialmente correta no diagnóstico, falha na terapia e um grande fiasco no prognóstico. Acertou na descrição da realidade econômica vigente em seu tempo, nos países industrializados do Ocidente.
Um modelo condenado ao desaparecimento, porque socialmente cruel e politicamente insustentável. Por isso, Marx acertou igualmente ao rotulá-lo de capitalismo, denominação apropriada para um sistema caracterizado pelo predomínio do grande capital, hegemônico e desconhecedor de regras, que espoliava os trabalhadores, esmagava os concorrentes, sufocava o empreendedorismo e arruinava milhões nas crises cíclicas.
O grande erro de Marx -incompreensível num pensador dialético- foi imaginar que o capitalismo permaneceria imutável, apenas agravado em seus defeitos, na forma de aumento da concentração da riqueza e crescente pauperização do trabalhador.
Por sua vez, o erro dos discípulos de Marx -principalmente Lênin e seus seguidores- foi não terem percebido que o remédio receitado, o socialismo, só teria validade se realizada a profecia da explosão do capitalismo, supostamente a ocorrer nos países mais desenvolvidos. Se tal não ocorresse, obviamente, o remédio não se aplicaria.
Não deu outra. Fracassou, 75 anos depois, ao perder a competição com o Ocidente, mais dinâmico e eficiente, e onde o velho capitalismo morrera, não por explosão, como previra Marx, mas por evolução mutante, ao se transformar numa espécie de natureza diferente: a economia de mercado.
A rigor, um pós-capitalismo, que a obsolescência das idéias não consegue distinguir do velho capitalismo. Na verdade, o capitalismo do tempo de Marx era a negação da economia de mercado. Tratava-se de um regime selvagem, sem regras, no qual prevalecia a lei do mais forte. Só foi possível num vácuo institucional, sem leis trabalhistas, sem rede previdenciária, sem Organização Mundial do Comércio, sem mecanismos anticíclicos, sem legislação antitruste nem de defesa do consumidor. Era o império da violência e do jogo sujo, nas relações entre países, nas relações entre empresas concorrentes, nas relações entre vendedores e consumidores e nas relações entre patrões e empregados.
Ora, o sistema de mercado só funciona bem dentro de um marco institucional, interno e internacional, solidamente estabelecido. Vale dizer, precisa de paz, de regras claras e de segurança jurídica, tudo que não havia na época do velho capitalismo e do seu corolário, o neocolonialismo.
Em resumo, só vai entender a realidade do mundo atual quem tiver a noção clara da natureza, da evolução e do papel de duas instituições fundamentais em qualquer país: o Estado e o mercado. No velho capitalismo, o mercado foi anulado pela omissão do Estado; no socialismo real, pela hipertrofia do Estado.
Em nosso tempo, vai tornando-se evidente que Estado e mercado são instituições indispensáveis e complementares, cada uma em seu papel. Vai ficar perdido e confuso quem continuar raciocinando e agindo em termos de capitalismo e socialismo, duas peças da arqueologia política.
Claro que a passagem para o pós-capitalismo ainda não se completou nem se processa de maneira uniforme no mundo. Em todos os países, remanescem vestígios do velho capitalismo, variando o seu peso de acordo com as especificidades de cada um.
No Brasil, há de se fazer um contínuo aperfeiçoamento do arcabouço institucional, para remover o entulho que impede o pleno funcionamento da economia de mercado.
Mas, antes, é preciso remover a sucata mental, resquício cultural do passado, que impede a plena compreensão do mundo de hoje e, ainda mais, do de amanhã.
"Só vai entender a realidade do mundo atual quem tiver a noção clara da natureza, da evolução e do papel de duas instituições fundamentais em qualquer país: o Estado e o mercado."
Segue o texto na íntegra:
A Sucata Mental (Jefferson Péres)
ANOS ATRÁS, alguém afirmou, com muita verve: "Um dos graves problemas do Brasil é a sucata mental. O país está povoado de idéias obsoletas".
A frase só não é perfeita por se haver restringido ao Brasil, quando na verdade tem aplicação universal. Em toda parte, políticos, economistas e intelectuais, principalmente oriundos da antiga esquerda, vêem a realidade de modo desfocado, porque não conseguem livrar-se de conceitos e pressupostos que perderam validade no contexto do mundo de hoje.
Durante dois séculos, o embate político em todo o mundo foi marcado pela dicotomia esquerda x direita, que a partir do "Manifesto Comunista", de Marx, em 1848, ganhou concretude, na forma de duas propostas antagônicas. De um lado, o modelo vigente no mundo real, que o marxismo rotulou de capitalismo; de outro, o seu oposto, um modelo ideal, chamado de socialismo, que se tornou real a partir da Revolução Russa de 1917.
A análise marxista, excessivamente reducionista, foi parcialmente correta no diagnóstico, falha na terapia e um grande fiasco no prognóstico. Acertou na descrição da realidade econômica vigente em seu tempo, nos países industrializados do Ocidente.
Um modelo condenado ao desaparecimento, porque socialmente cruel e politicamente insustentável. Por isso, Marx acertou igualmente ao rotulá-lo de capitalismo, denominação apropriada para um sistema caracterizado pelo predomínio do grande capital, hegemônico e desconhecedor de regras, que espoliava os trabalhadores, esmagava os concorrentes, sufocava o empreendedorismo e arruinava milhões nas crises cíclicas.
O grande erro de Marx -incompreensível num pensador dialético- foi imaginar que o capitalismo permaneceria imutável, apenas agravado em seus defeitos, na forma de aumento da concentração da riqueza e crescente pauperização do trabalhador.
Por sua vez, o erro dos discípulos de Marx -principalmente Lênin e seus seguidores- foi não terem percebido que o remédio receitado, o socialismo, só teria validade se realizada a profecia da explosão do capitalismo, supostamente a ocorrer nos países mais desenvolvidos. Se tal não ocorresse, obviamente, o remédio não se aplicaria.
Não deu outra. Fracassou, 75 anos depois, ao perder a competição com o Ocidente, mais dinâmico e eficiente, e onde o velho capitalismo morrera, não por explosão, como previra Marx, mas por evolução mutante, ao se transformar numa espécie de natureza diferente: a economia de mercado.
A rigor, um pós-capitalismo, que a obsolescência das idéias não consegue distinguir do velho capitalismo. Na verdade, o capitalismo do tempo de Marx era a negação da economia de mercado. Tratava-se de um regime selvagem, sem regras, no qual prevalecia a lei do mais forte. Só foi possível num vácuo institucional, sem leis trabalhistas, sem rede previdenciária, sem Organização Mundial do Comércio, sem mecanismos anticíclicos, sem legislação antitruste nem de defesa do consumidor. Era o império da violência e do jogo sujo, nas relações entre países, nas relações entre empresas concorrentes, nas relações entre vendedores e consumidores e nas relações entre patrões e empregados.
Ora, o sistema de mercado só funciona bem dentro de um marco institucional, interno e internacional, solidamente estabelecido. Vale dizer, precisa de paz, de regras claras e de segurança jurídica, tudo que não havia na época do velho capitalismo e do seu corolário, o neocolonialismo.
Em resumo, só vai entender a realidade do mundo atual quem tiver a noção clara da natureza, da evolução e do papel de duas instituições fundamentais em qualquer país: o Estado e o mercado. No velho capitalismo, o mercado foi anulado pela omissão do Estado; no socialismo real, pela hipertrofia do Estado.
Em nosso tempo, vai tornando-se evidente que Estado e mercado são instituições indispensáveis e complementares, cada uma em seu papel. Vai ficar perdido e confuso quem continuar raciocinando e agindo em termos de capitalismo e socialismo, duas peças da arqueologia política.
Claro que a passagem para o pós-capitalismo ainda não se completou nem se processa de maneira uniforme no mundo. Em todos os países, remanescem vestígios do velho capitalismo, variando o seu peso de acordo com as especificidades de cada um.
No Brasil, há de se fazer um contínuo aperfeiçoamento do arcabouço institucional, para remover o entulho que impede o pleno funcionamento da economia de mercado.
Mas, antes, é preciso remover a sucata mental, resquício cultural do passado, que impede a plena compreensão do mundo de hoje e, ainda mais, do de amanhã.
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